[ editar artigo]

A bicicleta facilita a vida no caos da metrópole

A bicicleta facilita a vida no caos da metrópole

Vivo em são paulo capital há quase 10 anos e uma das coisas que mais ouvi nesse ínterim, de pessoas daqui e de fora, é sobre como é difícil sobreviver ao ritmo caótico que a cidade nos impõe. Pra mim isso tem tudo a ver com transporte. Tenho poucas certezas na vida, mas uma delas é que muita aglomeração de gente em tubos subterrâneos e de latas no asfalto que soltam fumaça não é a visão de paraíso de ninguém em particular.

Você já experimentou algum alívio ao ver um carro sair da sua frente, desobstruindo parte da paisagem que antes encampava?! Eu sim, o tempo todo. Mas eu tinha minha lata própria, gastava pequenas fortunas em estacionamentos, obstruía a visão de outras pessoas.

Em 2014, comprei uma bicicleta elétrica e me propus a mudar meu modal de transporte diário para o trabalho. vivia em Pinheiros e trabalhava no Itaim Bibi, bem na meiuca da avenida Faria Lima, um dos maiores centros empresariais de sp. A escolha pela elétrica se deu única e exclusivamente porque o modelo que eu estava de olho era um colírio para os olhos, todo em formato de cestinha de vime e pintura de flores, e mesmo que depois ela tenha se revelado bonitinha mas ordinária - outro capítulo dessa história -  eu não imaginava a transformação pela qual minha vida, meu corpo e minhas prioridades iriam passar.

No começo foi esquisito, até cômico, eu não andava de bicicleta há muitos anos, nunca havia andado de forma urbana (leia-se: cortando ruas, compartilhando espaço com motos, carros, caminhões e carretas de papelão). Lembro-me que no dia em que a comprei, estava tão enferrujada que fui empurrando a bike por boa parte do trajeto de volta para casa. pique carteiro Jaiminho.

Mas eu fui, e continuei indo. Os dias foram passando, as pernas parando de bambear, a confiança chegou, com ela pequenas quedas, nada sério. os meses voavam e eu, junto, voava nas ciclovias das grandes avenidas, minhas roupas começaram a ficar largas. Eu não gastava mais dinheiro de combustível nem passagens caríssimas de ônibus e metrô. Tudo isso facilitado pela localização privilegiada da qual eu saía, sim, mas fato é: não demorou nem 6 meses pra eu deixar o carro na garagem da minha mãe com chaves, documentos e tudo: "obrigada pelo presentão, mas ele é todo seu. Não preciso mais".

Pra resumir: em uma cidade tão verticalizada quanto são paulo nós temos sede de horizontes. literais, mesmo. não são muitos os pontos centrais da cidade onde é possível ver muitos palmos à frente. O vão do Masp?! o único que consigo lembrar.

A bicicleta como modal de transporte num lugar assim é um bilhete premiado pra uma nova perspectiva sobre a cidade. É estar na mesma escala das pessoas, sentir os cheiros que as calçadas soltam, é olhar mais no olho e frear pro pedestre ao invés de acelerar ao vê-lo passando. Bom, ao menos pra mim, é esse o convite que a bicicleta faz.

E você, tem um minuto para a palavra do rivotril biomecânico?

 

 

 

 

MOB1.CLUB
Marie Cabianca
Marie Cabianca Seguir

gosto de escrever, pesquisar imagens, pedalar ao ar livre, cozinhar, assistir e falar sobre filmes, participar da cidade em que vivo e criar meu filho. às vezes algum desses volta em forma de dinheiro, nem sempre. não sou essas coisas, estou assim.

Ler matéria completa
Indicados para você