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Mobilidade Urbana na Terceira Idade

Mobilidade Urbana na Terceira Idade

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada pelo IBGE ano passado, mostrou com dados o que a gente já sabia. Aumentou – e muito – a quantidade de idosos no Brasil e com isso a importância dos olhares a mobilidade na terceira idade.

Entre 2012 e 2017, a população de mais de 60 anos subiu em todas as unidades da federação, mas os estados com maior proporção de idosos são o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. Aproximadamente 19% de suas populações está dentro do grupo de 60 anos ou mais. Não se assuste, os números vão aumentar bastante.

Se por um lado é bom saber que a expectativa de vida deu uma boa esticada - e com saúde podemos aproveitar mais -, por outro a realidade bate à nossa porta e temos consciência de que não estamos preparados para isso. Enfrentamos dilemas sérios que vão desde a polêmica reforma da previdência até a falta de estrutura do SUS para arcar com esse outro panorama. Como vamos nos organizar?

Planejamento de Mobilidade da Terceira Idade

A falta de planejamento urbano do passado deixou a conta salgada para a população desse futuro rápido que não previmos. Uma cidade confortável, segura e digna para os mais velhos certamente não é nem de longe a nossa cidade do presente. Falta, principalmente, acessibilidade. Se ao nosso redor há vários exemplos de senhores e senhoras plenos de vitalidade, há também muitos casos de pessoas já limitadas pelas mazelas físicas do envelhecimento: artroses, hérnias, osteoporose, cardiopatias, catarata entre outras doenças. Cada uma delas com uma limitação específica para a mobilidade do dia a dia.

Como a cidade não é convidativa nem segura, muitos desses idosos iniciam um lento processo de abandonar as ruas. Aquele passeio que proporcionava bem estar vai ficando complicado. As calçadas têm buracos, torna-se impossível atravessar o sinal verde em 10 segundos, falta corrimão em algumas escadas, à noite não se enxerga nada porque não há iluminação suficiente, o meio fio é alto demais perto daquela pracinha... Ah, melhor ficar em casa. E aí a tristeza vai chegando devagar; nem sempre tem alguém pra conversar, a televisão não é interessante o tempo todo, a família pode estar longe demais. Até que a limitação do corpo se acentua provocando doenças psíquicas e fazendo com que a qualidade de vida caia vertiginosamente.

Infelizmente as políticas públicas não querem saber da medicina preventiva. Não é só viver de dietas e tomar remédios na hora certa. A prevenção envolve também a mobilidade urbana, a socialização e as atividades nos espaços coletivos. São positivos os programas que aqui no Rio instalaram as Academias da Terceira Idade nas praças. Mas isso não basta. É mais importante investir nas pessoas e ampliar o atendimento ao idoso com outros programas, preferencialmente que envolvam também a questão do deslocamento.

Um bom exemplo é o “Paris em Companhia” que a prefeitura de Paris lançou em dezembro passado. Trata-se de um serviço de acompanhamento e de luta contra o isolamento dirigido à terceira idade. O objetivo é permitir que os cidadãos com mais de 65 anos sejam acompanhados gratuitamente em suas caminhadas de lazer, em suas tarefas ou em qualquer outra situação relacionada ao seu dia a dia. Tanto a pé como de transporte público. Os acompanhantes são parisienses voluntários treinados para esse fim.

No Japão o Uber começou a contratar pessoas idosas para fazer entregas de lámen a pé. É outro exemplo da importância de manter a população ativa através da mobilidade e ao mesmo tempo permitir que aqueles que se sentem aptos para trabalhar possam fazê-lo.

Manter as pessoas saudáveis em suas residências será muito menos custoso do que abrigá-las em asilos ou interná-las nos hospitais. Precisamos pensar nisso com urgência e a mobilidade tem papel fundamental nessa mudança.

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Thatiana Murillo
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Fundadora do movimento Caminha Rio

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