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Psicologia do Trânsito e Cidadania

Psicologia do Trânsito e Cidadania

A psicologia a exemplo de muitas outras áreas da saúde divide-se em vários campos de atuação teórico-práticas no que chamamos de “AS PSICOLOGIAS”. Entre estas a Psicologia do Trânsito é sem dúvida a mais contemporânea.

O exercício do trabalho da psicologia do trânsito de forma mais efetiva e devidamente regulamentada deu-se nas décadas de 1970 a 1980, onde se fez necessário avaliar a saúde física e mental do motorista para que este pudesse dirigir seu automóvel ou carro pesado (ônibus, caminhão) de forma mais segura.

Contudo, dos anos 1970-80-90 e ate meados de 2005 os programas governamentais para a erradicação dos acidentes de trânsito foram de pouca eficácia ou quase nulos em alguns momentos. Nestas situações o Brasil chegou a atingir a marca de 100.000 pessoas mortas/ano visto que uma grande parte delas vinha a óbito em situações posteriores aos acidentes por outras complicações patológicas decorrentes, segundo dados do próprio Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).

A partir de 2011 para cá os órgãos responsáveis pela organização do sistema de trânsito começaram a dar maior importância aos programas, visto os acordos internacionais para a redução dos acidentes; iniciativa esta tomada pelas Organizações das Nações Unidas.

Observamos aqui que nosso país parece se movimentar através de pressões internacionais para promover mudanças, como se não tivesse identidade, vontade ou capacidade própria.  Há uma preocupação exagerada com a “imagem” e com o “risco Brasil” que pode afetar os investimentos estrangeiros em nosso país. Com isso paga-se milhões de dólares pela “insegurança Brasil”.

Essa insegurança é gerada pelo baixo investimento em saúde, educação, trânsito, cidadania, esporte, cultura, habitação, programas de segurança alimentar deficientes e como consequência leva a uma distorção da imagem que o brasileiro faz de si próprio e o leva diretamente ao já popular dito "complexo de vira lata". 

O retrato desta situação podemos ver bem claramente no trânsito onde o “condutor desajustado se vale de suas "vontades" para que seja atendido dentro de suas necessidades. Temos como exemplo o fato de que alguns motoristas chegam para fazer as avaliações de suas CNHs dirigindo seus veículos que estão de forma irregular ou mesmo alcoolizados.  Tal conduta só encontra respaldo no fato de que ele "precisa ser satisfeito imediatamente".

Em suma, espera obter antes o benefício (prazer) acima de tudo e de todos, para depois executar alguma tarefa que se lhe apresente.  É neste sentido, que o povo brasileiro muitas vezes descarta a importância de exercer sua cidadania em prol de seu próprio individualismo, ou seja não se enxerga dentro do contexto de uma nação, mas apenas como uma parte e o reflexo disto aparece tragicamente nas vias de fato no trânsito brasileiro, desconsiderando  os princípios elementares da convivência humana, como cortesia e educação, mas pelo contrário faz do veículo um instrumento de intimidação, humilhação, constrangimento, opressão, agressão e morte. 

O trânsito brasileiro, precisa sim, é de um planejamento preventivo que nos leve a um novo patamar civilizatório onde a potência seja elevada como forma de organização social, de poder ousar para além do humano , sem esquecer o humano em nós e para isso é preciso que nós brasileiros tenhamos consciência de quem somos !

Márcio Jair Possan – Psicologo – CRP 07/9890
Especialista em Trânsito: Gestão da Mobilidade Urbana e Saúde Pública

 

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